DEDICATIVO

•Dezembro 6, 2008 • Deixe um Comentário

Autor: Rafael Passos

 

Eu dedico,

Dedico ao sujeito de mim mesmo,
A esmo, ao predicado,
Que aparece em meu espelho,
No futuro do presente do passado,
De papel mal-passado,
Da minha identidade falsificada;

Dedico a quem acha que sou piada
(Sou falha, sou fala, sou falta, sou nada!),
Entregue aos vícios de meus adjetivos,
Que me completam e me mudam,
Que tanto falam não escutam,
Que deixam todos mudos e entretidos;

Dedico aos cacos de meu reflexo,
Que diminuía meu predicativo convexo,
Aumentado neste verso – falando da gramática,
Em gramas leves, pesada, regrada, chata,
Como se preço tivesse algo assim perfeito,
Que nem regra, nem conjugação de nada,
Fosse vendido de meu sujeito;

Para cair em mãos de preconceito
(Dedico a estas mãos também),
Que se cheias de dinheiro tocassem,
Só defeitos que maltratassem,
O que poderia haver de mais direito,
De ter motivos para destruir o espelho;

Mostrara este minha real identidade?
Como se fosse tão fácil contar a verdade,
Dedico-me então a juntar cacos,
Agora pequenos adjetivos prejudicados,
Pela brutalidade de seres covardes,
Das coisas covardes, meus inimigos,
Fingiam ser amigos, e podem ainda ser;

Dedico, e quem é o predicativo do sujeito?
O predicado do meu sujeito?
O prejudicado da pessoa?
Eu dedicado a todos vocês, adjetivos,
Nem antônimos, nem sinônimos são inimigos,
Nem “dedicativos” do meu sujeito, nem nada,

Nada e se afoga nos cacos do espelho.

AULAS CONJUNTAS

•Dezembro 4, 2008 • Deixe um Comentário

Autora: Ana Paula do Nascimento

 

Aulas são espaço de compartilhamento, troca, contribuição, generosidade, em que indivíduos se permitem doar e receber. É quase inevitável, num contexto como esse, a exposição pessoal de si mesmo com os respectivos valores, crenças, opiniões.

A presente definição pode soar um tanto quanto utópica, contudo, tratam-se de contextos. Pode, portanto, exprimir, perfeitamente, o que e como foram e o que representaram as aulas conjuntas da disciplina Leitura e Produção de Textos, com as turmas das professoras América e Eliana Mara.

O primeiro encontro deixou alguns alunos da professora América um tanto quanto assustados, uma vez que era dia de apresentação de seminário. Apresentar para o próprio grupo já representa um desafio para muitos, a situação fica um pouco mais delicada se, além da sua turma, houver outros assistentes. Uma questão de exposição? Sem dúvida; mas também de crescimento. O clima de tensão inicial deu lugar, após as apresentações e comentários, a um ambiente de descontração, partilha.

Num cenário belíssimo, pelo que há de humano nisso, nossos grupos se uniram – bem verdade que alguns já se conheciam, mas aquela foi, sem dúvida, uma experiência única mesmo para os que já possuíam algum contato anterior – além de compartilhar idéias, compartilharam também o pão – no sentido literal. Sim, e além do lanche servido, houve a troca de amabilidades, incentivos, cordialidade, apreciação.

Segundo encontro. Hora de retribuir! Perfeito! Calor humano, que é essencial, conhecimento e, claro, diferenças. Aliás, turmas tão parecidas e tão distintas. É o ambiente acadêmico, humano.

O dia era reservado às apresentações finais dos alunos da professora América e à apresentação dos blogs da turma da professora Eliana.

Foi interessante perceber as marcas pessoais impressas em cada blog, as experiências pessoais por que passou cada aluno até chegar à execução do trabalho, o modo como este era – é – moldado para parecer com as preferências, afinidades do aluno.

Inegavelmente, trocamos conhecimento. Crescemos juntos e separados. Mas crescemos.

- Mesa farta! Prato cheio…

- Posso comer? Hummmmm….

- Do que lhe agrada, convém experimentar!

COISAS QUE SE APRENDE NA VIDA SOBRE…

•Dezembro 2, 2008 • 1 Comentário

Autor: Kleitman Castro

 

palavras

 

 

…Palavras

Não se deve confiar em alguém por palavras, E sim pelos seus atos. E mais; que com poucas palavras, se pode magoar alguém; e que palavras amigas são apenas camuflagens do que não se quer ouvir.

…Amigos

Meu melhor amigo e eu podemos fazer qualquer coisa, ou coisa nenhuma e ainda assim nos divertirmos a valer; e que por melhor que sejam, eles acabam magoando a gente de vez em quando e que precisamos aprender a perdoá-los,pois a verdadeira amizade continua a crescer, mesmo quando estamos longe.

Gostar…

Gosta-se de alguém num instante, E que esse alguém também gosta naquele instante; que um instante pode durar anos, E que pode durar segundos…e que uma vez só é pouco, E que esse pouco dá uma saudade!

 

relação

 

…Relação – o processo


Você pode até se sair bem com charme por uns quinze minutos, mas depois disso é melhor ter algum conteúdo; e depois, independente da intensidade e do calor inicial de um relacionamento, a paixão passa e é melhor ter alguma coisa além disso para substituí-la, por que existem muitas maneiras de se apaixonar e continuar apaixonado – A palavra AMOR ter muitos sentidos, mas perde o valor quando usada demais.

…Relação – um fato…

Não importa o quanto você se dedique a alguém, algumas pessoas simplesmente não são capazes de reconhecer ou corresponder; também, existem pessoas que te amam de verdade, mas simplesmente não conseguem demonstrar esse amor; e, só porque não te amam do jeito que você gostaria, não significa que não te amam com todo o seu coração.

…Relação – o outro fato…

Você não pode fazer com que os outros o amem, tudo o que você pode fazer é ser alguém que possa ser amado. O resto é com eles; pois amar sem ser amado, É alimentar o que não se enche,É curar o incurável, É corrigir o incorrigível,É sofrer e saber porque, sem poder nada fazer…

 

amar

 

…Amar…

Quando se está amando, se demonstra, e somente porque duas pessoas discutem, isto não quer dizer que não se amam. E que, às vezes, só porque duas pessoas não discutem, também não significa que se amem.


…Gancho da vida…

Quando recém nascido segura seu dedinho com seu pequeno punho, você está com o gancho da vida, e ter uma criança dormindo em meus braços é o maior sentimento de paz do mundo; e que nunca se deve negar um presente vindo de uma criança, e que você nunca – nunca – dizer que seus sonhos são impossíveis ou improváveis de acontecer. Poucas coisas são mais humilhantes que isso. E você já pensou que desastre seria se ela acreditasse em você?

 

caminhada

 

…Caminhada…

A melhor sala de aula do mundo é estar junto de alguém mais velho. Por isso, aquela simples caminhada com meu pai, em volta do quarteirão nas noites de verão quando criança, agora vejo, me fez um adulto melhor.

Personalidade

Custa um tempo enorme para nos tornarmos pessoa que queremos ser. e que quem você pensa que é, Na verdade pode não ser,pois para cada pessoa, você é uma pessoa. e que quando você planeja se igualar a alguém, você está apenas deixando esta continuar te machucando.

…Valores

Todos querem estar no topo da montanha, mas toda a felicidade e crescimento ocorrem enquanto se está escalando; observando que as oportunidades nunca se perdem, pois sempre haverá alguém para abraçar aquela que você deixou para trás.

…a própria Vida

Se a vida é dura, eu sou mais durão, pois por mais que você esteja sofrendo, o mundo não vai parar para você ficar se lamentando.

…Escolhas

É muito mais fácil reagir do que pensar, pois às vezes quando estou irritado, eu tenho o direito de estar assim, mas isso não me dá o direito de ser cruel; logo, como não posso escolher como me sinto, posso escolher o que fazer sobre; e que ser gentil e amável é mais importante do que ser justo; e o amor ,não o tempo, cura todas as feridas.Ignorar os fatos, não mudam os fatos. Então, ou você controla suas atitudes ou elas controlarão você.

…Fé

Sempre posso rezar por uma pessoa, quando não tenho forças para ajudá-la de outra forma,e devemos estar feliz por Deus não nos conceder tudo aquilo que pedimos…e que se Deus não fez tudo em um só dia,portanto, o que me faz acreditar que posso?

 

enfim

…Enfim…

Escrever, assim como falar, pode aliviar as dores emocionais. Aprendi que com coisas ruins seaprende muito mais, Por isso quero aprender pouco. Aprendi que o “por enquanto” é muito tempo, E que o tempo que nos faz aprender é o verdadeiro presente, pra ser usado com inteligência, e não algo para se desperdiçar…Estas coisas eu aprendi e, muitas, estou aprendendo a cada dia…E me dão mais razão, mais coragem, mais sentido e alegria em enfrentar esta sublime aventura que é a VIDA.”

NARIZ SANGRENTO

•Novembro 25, 2008 • 4 Comentários

Autor: Rafael Passos

 

 

Rafael Passos

Foto: Rafael Passos

 

 

 

O meu olfato já não é tão aguçado. E para falar a verdade nunca foi. É essa falta de um bom faro que me impede de sentir o fedor de muitas coisas. Cheiro de maldade. Aquele cheiro de sangue misturado com terra. O sangue que cai no chão quando acontecem as torturas. Era esse cheiro que deveria eu sentir quando alguém o possuindo se aproximasse. Mas maldito seja meu nariz que sangra toda semana. A bondade tem esse cheiro. Aroma bom de sangue. Sangue fresco, doce, que bate forte em corações que amam. Cheiro de ferrugem que lembra coração puro (como se houvesse realmente um). Grande problema que sinto ao tentar detectar o fedor de pessoas hostis. Só percebo bondade em todos que estão ao meu redor. Falta a terra. Pelo que sei a maldade não tem cheiro de terra molhada (que na verdade lembra serenidade), mas fede como a mesma terra onde ciprestes crescem. Com aquele gás metano da decomposição da carne. E o sangue. E sangue é só o que sinto em minhas narinas. Lamento dois sentimentos tão distintos serem tão fáceis de se confundir por conterem um ingrediente em comum. Não se trata de ingenuidade. É meu olfato deficiente que me deixa louco. Vai ver é sinal que devo começar a procurar usar outro sentido. Visão é uma boa alternativa. Deve ser mais fácil enxergar o que as pessoas pensam observando-lhes os olhares. A maldade pode estar estampada facilmente nas retinas.

Mas para mim nem isso.
Maldita miopia.

QUERIA CHOVER

•Novembro 24, 2008 • 2 Comentários

Autor: Rafael Passos

Não é todo dia que chove. Ele gostaria que fosse o contrário. Quando o céu acinzenta é bom. Seus pensamentos fluem melhor e ele sai de casa. Sem guarda-chuva. A água fria que pena em cair do céu é agradavelmente desperdiçada em sua seca face. Claro que fechar os olhos e levantar a cabeça sentindo a chuva é agradável para qualquer um. Mas para ele era diferente. Era especial. Nostálgico. Talvez fosse tão profundo em encharcar seus poros com a chuva que lembraria até de suas vidas passadas. E nem tinha medo de gripar. Gostava de se molhar com chuva.

Era começo de inverno e o que mais se ouvia era a mesma estupidez. “O fim dos tempos se aproxima e o clima está cada vez mais louco!” Realmente estava sendo um inverno de poucas chuvas naquela cidade. Mas para ele chovia todos os dias. Com aquela agradável brisa fria e as grossas gotas de água que pousavam levemente sobre seu corpo. E quando todos abriam seus guarda-chuvas pretos, ele deixava-se molhar por aquela ausência maravilhosa de Sol.
Queria aproveitar cada minuto de sua chuva, porque sabia que antes do inverno partir ela acabaria. E a luz ocuparia todo o espaço e o ofuscaria. No asfalto quente da rua não ficaria a salvo e em casa morreria de calor. Todos ficariam alegres. Ele não. Sua alma faria de tudo para alegrá-lo. Tentaria até fazê-lo chover litros de água. Como ele tanto gosta.

CLICHÊ HUMANO

•Novembro 23, 2008 • Deixe um Comentário

Autor: Rafael Passos

 

 

…e obrigado por ter voltado.

Acordando e abrindo os olhos, para não enxergar nada a princípio. Levando tapas nas pequenas nádegas. Pulmões abertos. Aspirando O2 e expirando CO2. Choro alto. O primeiro sinal de existência. Certidão. Medo. Salvação nos braços da mãe. Sala de aula e risos. Vergonha e dedos apontando, perfurando como flechas, a criança envergonhada. Descobertas, livros a ler e cálculos a fazer. Erros cometidos. Não os repita! Erros repetidos. Castigo e auto martírio. Descobertas e mudanças. Muito mais erros. Primeiro beijo à tarde e coração acelerado à noite. Muitas músicas, quantidade suficiente de irmãos e poucos amigos. Mente fértil. Mudando constantemente todo fim de semana. Rock’n Roll! Erros se repetem novamente. Sem castigos. Cem castigos. Apelidos nada carinhosos. Vítimas sem culpados. Aprendizado: a cada minuto nascem dez inocentes e noventa culpados no mundo. Mudança de lugar, de hábitos, aparência, amigos, vida. Não mais cristão, porém mais forte. Menino que vira homem, sendo homem-menino, que abraça o caos e não o larga. Vinho e álcool etílico no mesmo copo. Pouca música, quantidade suficiente de amigos e muitos irmãos (sendo o filho mais novo). Aspira COe expira CO2. Muito mais erros cometidos. Nenhuma penitência. Liberdade temporária. Mais leituras e menos cálculos. “Rebeldia e maus hábitos”. Mais fotos e mais preto e branco (mais preto que branco). Mais risos e goles, e tudo girando, girando e girando. Lamentando nas segundas-feiras. Grades nas janelas de casa e a espera do acaso (nenhuma expectativa de futuro). Estuda e se forma. “Vira gente”. Esperando ansiosamente a segunda-feira. Sem dinheiro para pagar a gasolina e o telefone toca: “Amor, estou grávida!”. Choros e enxovais para contentar o sofrimento de muitas contas para pagar. Espera e hospital. Hospital e espera. Dor, métodos de cesariana e “Parabéns, é uma menina!” Risos. Papai parece ser um bom nome. Mais trabalho. Mais filhos. Envelhecendo. Só cafeína mantém acordado. Último filho. Primeiro fio grisalho. Parto normal e “Parabéns, é um menino!”.

Por favor, volte ao começo…

 

2075846191_7b9c67414d_o

Foto: Rafael Passos

 

MINHA VOZ

•Novembro 22, 2008 • Deixe um Comentário

Autora: Ana Paula do Nascimento

 

 

Falar
Tatear nas palavras
Projetar parcas respostas
Que importa?
É a minha voz que me conduz
Ela
Tradução dos pensamentos
Vôo livre
Quando pode voar

Dar asas a minha voz
Escrever
Falar
Dizer
Deixar transbordar
Aos borbotões
O gritar de uma alma ofegante
Ansiosa
Alma fala?
Alma nem um pouco silenciosa

Sempre falou
Mesmo quando calou
Sempre disse
Mesmo de si para si

Fantástica viagem
Ao seu infinito particular
Aos seus recônditos
Ao seu universo intra-interior

Paisagens
Miragens
Palavras
Voz
Vozes?
Viagem

Pode dizer
Pode ser
Pode gritar
Seu grito de liberdade

Seu jugo
Onde está?
Derrubei-o
Subjuguei
Abortei

Há ainda o que dizer

Há muito ainda por perguntar
Inquieta
Segue estrada afora
Segue errante
Radiante
Melancolia e júbilo
Num eterno entrecruzar

Ainda há perguntas
Não vão parar
Não vou parar
Minha voz
Não vai calar

Algozes se interpõem
Suplicam meu silêncio
Não!
São algozes
Exigem-no de mim
Barganham
Assaltam-me
Tripudiam
Querem-no a qualquer custo
Custa-me muito
Custa-me a vida
A vida que acabo de ganhar
Então, revolto
Revolvo-me

Há que chegar o tempo
Há que se gritar
Há que se querer mais
Mas
Para que serve a voz?

SOBRE A MESA ONDE ESTUDO

•Novembro 21, 2008 • Deixe um Comentário

Autor: Rafael Passos

 

Pare e saia!
Não quero ser incomodado,
Só quero ser acomodado,
Ou fica e espera,
Fica e coma tudo sobre a mesa,
Fica tudo em coma sobre a mesa;

E acorda e arrasta,
Eu consigo todo o seu domingo,
Consigo todos estão dormindo,
Até mais que nada,
Luto para uma mesa acordada,
Luto contra minha mesa cortada;

Não sangra ou vaza,
Que não haja pulso sobre o sonho mudo,
Que não sinta impulso, gravidade, tudo,
Pois só existe o que passa
Rápido demais para uma queda,
Ríspido demais para uma quebra;

Sempre tão frágil e dada,
Fácil desgrudar-me da mesa cedo,
Manter-me acordado sem medo,
E o tédio, que já remedia
Toda a falta de uma idéia deitada,
Tudo em falta para uma mesa untada

Assando o meu sono
O cheiro está bom,
Pego porções e como
Sempre deitado então
Saboreie comigo,
Saia desse chão
(tudo está comido),
Como em um coma acomodado,
Sobre a mesa onde estudo – diz tudo.

ILUSTRAÇÃO DO PSEUDODIÁLOGO

•Novembro 19, 2008 • Deixe um Comentário

Autor: Rafael Passos

 

Os dois homens sentam-se à mesa de uma sala. Descansando, um deixa de lado sua bengala e seus óculos escuros e ignora seus próprios olhos vazios, agora à mostra. O outro abre o caderno feito para que todos o entendam, pega uma caneta em seu bolso, e os usa para “falar”:

“Agora essa folha não está mais em branco. Odeio folhas em branco e todos sabem disso. Não sei qual mania tenho eu de boicotar minhas próprias idéias quando não há nada por perto. Só eu. Você viu ontem? Quando escrevi em meu caderno antigo com tinta preta? Escrevi até as folhas ficarem totalmente pretas. Agora vou pegar uma caneta de tinta branca e começar tudo de novo. Mas assim não vou destruir meus textos antigos? Como eu ia dizendo sobre boicotar minhas próprias idéias? Como você disse mesmo ontem? Para eu parar de fazer perguntas? Sim. E acho que odeio demais folhas em branco para usar tinta branca. Só que não foi você mesmo ontem que disse que o branco indicava o vazio? Mas e o vácuo, conteúdo principal desse universo vazio e PRETO? É verdade. Tenho que parar de fazer perguntas. Falei isso para fugir do assunto, não foi? Será que você não tem resposta para nada que digo? Acho que não. Não suporta minhas dúvidas por nem mesmo suportar as suas. É que sua mente de vez em quando parece ser uma folha em branco. Ou em preto? Aí além de minhas idéias, estou boicotando as suas. É que eu esqueço que você não gosta de escrever. Deve ser laborioso fazer tantos pontinhos no papel. Eu gosto de falar. E por isso eu encharco a folha de papel com tinta. Só porque eu não posso falar pela garganta? Pelas cordas vocais? Sem perguntas. Não. É para escrever sempre por cima. Desperdício de idéias, sabe? Não só porque sou surdo-mudo. Á propósito… Você é cego e não sei braile. Como pode? Como você lerá isso aqui? Tudo bem. Não farei mais perguntas. Só mais uma coisa… Já que está indo embora… Cansou?” – dizia o outro enquanto um se levantava e saía da sala. Parecia estar incomodado com tantas perguntas, mas não estava. Ele sim perguntou:

- O quê você disse?

E o outro viu mas não ouviu. Prolixidades à parte…

SUBVERSÃO

•Novembro 18, 2008 • 1 Comentário

Autora: Ana Paula do Nascimento

 

Subversiva sim

E sempre

Com o passar do tempo

Mais e ainda mais

À medida que as barreiras erguidas ruíam

Iam ou vinham ao chão

Maior a apropriação do ser

Do poder

Dizer

Fazer

A consciência dantes cerceada

Ei-la aqui

Surge perene

Ressurge

Onde os limites

Onde o não

Nunca mais seria a mesma