DEDICATIVO
Autor: Rafael Passos
Eu dedico,
Dedico ao sujeito de mim mesmo,
A esmo, ao predicado,
Que aparece em meu espelho,
No futuro do presente do passado,
De papel mal-passado,
Da minha identidade falsificada;
Dedico a quem acha que sou piada
(Sou falha, sou fala, sou falta, sou nada!),
Entregue aos vícios de meus adjetivos,
Que me completam e me mudam,
Que tanto falam não escutam,
Que deixam todos mudos e entretidos;
Dedico aos cacos de meu reflexo,
Que diminuía meu predicativo convexo,
Aumentado neste verso – falando da gramática,
Em gramas leves, pesada, regrada, chata,
Como se preço tivesse algo assim perfeito,
Que nem regra, nem conjugação de nada,
Fosse vendido de meu sujeito;
Para cair em mãos de preconceito
(Dedico a estas mãos também),
Que se cheias de dinheiro tocassem,
Só defeitos que maltratassem,
O que poderia haver de mais direito,
De ter motivos para destruir o espelho;
Mostrara este minha real identidade?
Como se fosse tão fácil contar a verdade,
Dedico-me então a juntar cacos,
Agora pequenos adjetivos prejudicados,
Pela brutalidade de seres covardes,
Das coisas covardes, meus inimigos,
Fingiam ser amigos, e podem ainda ser;
Dedico, e quem é o predicativo do sujeito?
O predicado do meu sujeito?
O prejudicado da pessoa?
Eu dedicado a todos vocês, adjetivos,
Nem antônimos, nem sinônimos são inimigos,
Nem “dedicativos” do meu sujeito, nem nada,
Nada e se afoga nos cacos do espelho.
